ARTIGO – Sucesso esperado

Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

“Antônio Roberto, estou cansado de cobranças. Formei há dois anos e não consigo emprego de jeito nenhum. Fico estressado, cansado e muito preocupado em não alcançar meus sonhos. Todos em minha volta dizem que sou inteligente, brilhante e que terei muito sucesso. Isso só me causa mais angustia. Qual é o segredo para ter sucesso? Alfredo de Belo Horizonte”.

Ter sucesso, no imaginário coletivo, representa sobressair-se entre a maioria das pessoas no tocante a dinheiro, fama, reconhecimento, prestígio e status. Grandes executivos, grandes políticos, grandes artistas, principalmente se possuem grandes fortunas, são exemplos vivos e eloqüentes de quem conseguiu o sucesso.

Visto dessa maneira, o sucesso é social e, em última análise, está diretamente ligado ao dinheiro. Ser bem sucedido, quase sempre significa ter dinheiro. E não existe nenhum mal em querer possuir dinheiro, mesmo em enormes quantias. Não há nada de errado com o dinheiro e qualquer pessoa que queira, pode incluí-lo no caminho do sucesso. Não há nada de imoral na habilidade de fazer dinheiro. O importante é como ganhamos e o que fazemos com ele. Além disso, é importante salientar que essa é apenas uma dimensão de vida que, por ser vasta, exige dedicação em vários outros aspectos. Acho extremamente pobre a concepção periférica do sucesso e não imagino que valha a pena uma vida inteiramente dedicada a isso.

Existe o sucesso pessoal que não pode ser descartado. A auto-realização enquanto pessoa humana deve ser incluída no caminho dos que querem sucesso, qualquer que seja o nome que atribuímos a isso: felicidade, paz, amor, harmonia interior, alegria, relacionamentos significativos e prazerosos. A relação entre o sucesso social e o sucesso pessoal pode ser imaginada na figura de um rio. As margens são o ter, a quantidade, o externo, o brilho social e água são o ser, a qualidade, o interno, o essencial e o encontro consigo mesmo.

O verdadeiro sucesso está não no quanto conseguimos, mas no “como” vivemos. Mesmo porque poucos na nossa sociedade conseguem estar no topo. Conheço pessoas simples, pouco conhecidas e pouco cortejadas socialmente e que vivem muito bem. E conheço também muitas pessoas fracassadas dentro do “sucesso”.

Pessoas bem sucedidas são aquelas que antes de tudo, deram um SIM à vida. Elas têm uma disponibilidade total à existência, têm largueza de alma, e por isso mesmo aceitam a realidade tal qual ela é. Não são céticos nem reclamadores. Pessoas bem sucedidas colocam os relacionamentos como centro da existência. O outro é sempre uma oportunidade de crescimento e adaptação e um convite ao amor. A construção de relacionamentos saudáveis, respeitosos, prazerosos é à base de uma vida significativa,

Pessoas bem sucedidas estão sempre em crescimento. O verdadeiro prazer vem do desenvolvimento do nosso potencial. A vida humana é uma grande escola e nós somos eternos aprendizes. O interesse e a curiosidade para o autoconhecimento, conhecimento do mundo e das outras pessoas presidem o caminho da auto-realização.

Pessoas bem sucedidas dão grande valor às questões emocionais. Navegamos em dois mundos: o mundo técnico, objetivo das coisas, da racionalidade e o mundo subjetivo, dos sentimentos, do ser. Nossas relações e nosso estado de espírito dependem da compreensão e desenvolvimento de nossas emoções. Felicidade, amor, paz são sentimentos. Pessoas bem sucedidas aceitam as diferenças e sabem que todos somos semelhantes. Não existem pessoas superiores ou inferiores. Podem ser diferentes na raça, na origem, nas condições sociais, na religião. Isso, porém não dá o direito a ninguém de se sentir maior que outros.

Pessoas bem sucedidas, enfim, são aquelas que sabem que o grande objetivo da vida é viver. E viver é celebrar a vida em quaisquer circunstâncias e ter a sabedoria de aprenderem a ser felizes.

Antônio Roberto

Palavras chave: , , , , , , , ,

Comente a notícia.

Se você deseja mandar perguntas ou outros comentários, clique aqui.