Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas
Antônio Roberto, me explique porque há tanta violência contra as mulheres? Não apenas violência física…desde crianças já somos educadas de formas diferentes. Fale sobre isso. Bernadeth de Belo Horizonte”
O dia internacional da Mulher foi um dos primeiros movimentos que denunciaram a mulher como minoria e, portanto necessitando de um dia especial para que fosse lembrada e defendida. Antiga e usual a violência contra as mulheres pode ter tanto efeitos de longo prazo, quanto de curto prazo. Algumas vezes o resultado pode inclusive ser fatal. “A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres…”
Ainda nos dias de hoje muitos conflitos são resolvidos na forma autoritária com base na lei do mais forte. O homem é o forte, o que “manda”, o provedor e por isto ao longo da história foi se construindo uma mulher frágil, considerada inferior e incapaz. O papel masculino na nossa sociedade é mais valorizado causando muita desigualdade que vem desde a educação diferenciada para os meninos e meninas. Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a agressividade, a força física, a ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os sexuais, as meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão, dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros e a sexualidade reprimida.
A forma de lidar com os sentimentos também são diferentes, meninos e meninas aprendem a lidar com a emoção de maneira diversa. Os meninos são ensinados a reprimir as manifestações de algumas formas de emoção, como amor, afeto e amizade, e estimulados a exprimir outras, como raiva, agressividade e ciúmes. Essas manifestações são tão aceitas que muitas vezes acabam representando uma licença para atos violentos.
Hoje as violências contra as mulheres continuam, mas há um incentivo para que elas denunciem as agressões sofridas e há um amparo maior da lei. Os grupos das minorias como os negros, índios, mulheres, crianças, velhos, homossexuais já estão sendo defendidos por nossa sociedade, ainda que atrasadas estas defesas já existem.
Há também outro tipo de violência nas relações que é mais sutil e tão devastadora quanto as acima citadas: a violência emocional, fruto de jogos nas relações. Esses jogos são muito destrutivos causando danos irreparáveis nas relações afetivas. O primeiro é o jogo do poder já descrito acima nas suas variadas nuances. O segundo é o jogo da culpa que coloca a pessoa refém de um sentimento de inadequação e sensação de menos valia.
O sentimento de culpa é danoso de tal forma que se manifesta no corpo através de vários sintomas podendo causar doenças graves. O terceiro jogo que também é violência é o silêncio em que em se considerando a mulher incapaz não conversa sobre as questões causando uma angustia muito grande e uma ansiedade constante. Quarto jogo é o da crítica que provoca na mulher muita inferioridade e baixa estima. Quinto jogo é o do ciúme que provoca o medo de perder e ser abandonada ou trocada.
Estes jogos são muito comuns no comportamento masculino e são muito reforçados pela nossa sociedade machista. Inúmeros relacionamentos fracassam e muitas pessoas ficam infelizes por esta postura arcaica e adoecida, porque em qualquer relacionamento em que um anda na frente do outro ou que um manda e o outro obedece, sempre haverá mágoas, ressentimentos e desencontros e as pessoas não se entenderão. Ainda há de chegar o dia em que negros e brancos, pessoas de religiões diferentes e homens e mulheres andarem lado a lado para que possam enxergar ao mesmo tempo e na mesma perspectiva as sombras e as luzes que fazem parte da vida e que são para todos assim como o bem e o mal que são compartilhados ficarão mais suportáveis.
Presto aqui minha homenagem as mulheres com uma poesia que retrata o carinho e respeito que devemos à elas.
Mulher
Antes que Mulher, sou pássaro
Na viagem incontida de
Voar liberdade
Antes que mulher,sou árvore
Criando raízes,
Agasalhando frutos
-alimentação.
Antes que Mulher,sou luta
No caminhar dos direitos,
Pisar o chão,quebrar correntes.
Antes que Mulher,sou história,
Guardiã das sementes,
-perpetuação.
Antes que Mulher,sou conquista,
Igualdade,trabalho,
-espalhação de vida.
Antes que Mulher,sou flor
Na companhia feminina
Do arco-íris.
Antes que Mulher,
Muito antes que Mulher,
Sou GENTE
Antônio Roberto
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