ARTIGO – Relacionamento: tempo, paciência e dedicação

Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

“Antônio Roberto, não tenho sorte no amor. Será o destino? Joana de Sete Lagoas”

O mundo, por ser humano, é absolutamente imperfeito. Carece sempre de melhoria, de desenvolvimento. Nada está definitivamente terminado. Por mais que sonhemos com segurança, estabilidade ou permanência sabemos que tudo está em profunda transformação sempre. Aceitamos esta verdade, com facilidade, quando se trata do mundo material. Não estranhamos o surpreendente aperfeiçoamento do computador, do carro, do avião e de todas as tecnologias à nossa disposição.

O que é novidade e pouca atenção prestamos a isto é que as RELAÇÕES e suas respectivas instituições ( casamento, família, escola, trabalho ) também são imperfeitas e só se sustentam em um processo de crescimento, transformação, aprendizado e construção.

Há pessoas construindo uma nova família, uma nova vida profissional, novas formas de amar, novas relações com os jovens, novo jeito de serem amigos, novos comportamentos entre as pessoas. É difícil entender que as relações devam ser construídas porque aprendemos exatamente o contrário disto na questão do amor. A idéia fatalista nos encontros amorosos, por exemplo, a generalizada crença no destino, reforçada com as famosas imagens da cara-metade, da alma gêmea, dos “feitos um para o outro”, do que “tinha que acontecer”, “do carma”, atrasa ou impede a construção do amor. Na vida nada é pronto. Tudo está para se fazer. “O caminho se faz ao caminhar.”

Tomemos a família por exemplo. Ela é feita de pessoas bem diferentes. Cada pessoa é única na sua estrutura emocional, na sua inteligência, nos seus talentos, nos seus defeitos.

Integrar pessoas diferentes, embora atraídas umas pelas outras, graças ao convívio e proximidade, pressupõe um esforço de se conhecerem, de se adaptarem umas às outras, de combinarem muitas coisas, de aprenderem a lidar com os próprios conflitos e com os conflitos do relacionamento. Tudo isto tem um nome: CONSTRUIR A RELAÇÃO. CONTRUIR O AMOR.

Nossa sociedade cada vez mais, é uma sociedade das coisas “prontas”. Desapareceu o artesão. Queremos a família pronta. O casamento pronto. A amizade pronta. A pessoa pronta. Todo relacionamento exige tempo, paciência e dedicação. No amor, só se salva quem for artesão.

E o que é CONSTRUIR O AMOR? Em primeiro lugar é gastar energia no autoconhecimento e no conhecimento do outro. Saber o bom e o ruim em mim e no outro.

Depois, crescermos juntos no relacionamento. A essência da relação humana é emocional.

Saber dos próprios sentimentos, expressá-los continuamente, elaborá-los faz o crescimento do casamento, da relação com os filhos, da relação no trabalho ou na sociedade. Trabalhar os ciúmes, as inseguranças, as invejas, as culpas faz parte da Construção do Amor.

Bem viver é fruto do crescimento das pessoas que compõem as relações. Esse acontecimento só acontecerá se houver da parte de cada um o desejo sincero de construir o amor, enfraquecendo a idéia de que um bom relacionamento é sorte. Não. É CONSTRUÇÃO !

Antônio Roberto

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