ARTIGO – Qualidade de vida

Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

“Antônio Roberto, estou com uma rotina que está me deixando tediosa. Ajude-me a mudar. Analice de Santa Luzia”.

A vida, pela própria natureza, é sempre nova. Tudo o que é vivo tem frescor. A existência é um milagre e está sempre começando. A forma de vermos nossa vida é que pode torná-la enfadonha. Entrar em contato com a qualidade da vida em todos os momentos e em todas as coisas, mesmo as pequenas é o segredo. A palavra-chave é QUALIDADE. A maioria de nós vê a realidade apenas pela quantidade. Adoramos quantidade e nos esquecemos do valor da qualidade.

A quantidade, embora necessária, é apenas a margem do rio da vida, a água que nos faz certo o que somos, é a qualidade. Quantidade é o “quantum”. Vemos a vida quase que inteiramente sob esse prisma. – Quantos filhos você tem? Quanto você ganha? Quanto tempo de casados? Quantos anos de estudo? Quanto tempo de profissional? A forma quantitativa do caminho do dinheiro é boa para os negócios, mas não para as relações de amor, de afeto, de vida. A visão apenas da quantidade, a luta apenas para a acumulação de coisas e pessoas torna nossa existência enfadonha. O apego e a retenção são os frutos dessa visão. O “ter” nos aprisiona e cansa se não estiver casado com o “ser”.

Viver com qualidade não é ser perfeito, fazer tudo certo. Qualidade é como levamos a vida. É a inteireza e totalidade no lidar com o mundo. Na quantidade, a ordem é: possua o máximo e seja perfeito. Não erre. Na qualidade a ordem é: seja inteiro no que estiver fazendo naquilo que estiver experenciando, por mais banal que seja. Envolva-se de corpo e alma em tudo que estiver à sua volta. A marca da novidade está na vitalidade com que nos comprometemos. O amor com que trabalhamos, com que nos relacionamos, a intensidade com que realizamos nossas tarefas, a emoção com que nos defrontamos com o bom e o ruim é que garantem a percepção que tudo é novo a cada dia. Fazer o que gostamos e passar a gostar daquilo que somos obrigados a fazer, pela realidade, é o único caminho para que o tédio não tome conta de nossas vidas. Fazer mecanicamente as coisas, sem consciência é que nos induz ao enfado e a fazer tudo mais ou menos. Há pouco tempo chegou-me às mãos num texto maravilhoso do nosso querido e amado Chico Xavier, um dos maiores iluminados da nossa época.

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, a gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos e até ser obrigado a acreditar em um futuro mais ou menos. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Tudo bem. O que a gente não pode mesmo, de jeito nenhum, nunca, é amar mais ou menos, é sonhar mais ou menos, é ser amigo mais ou menos, é namorar mais ou menos, é ter fé mais ou menos, é acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos”.

Na vida, temos devoções e obrigações. Levar a sério às devoções, por mais bobas que possam parecer às outras pessoas e tornar leves as obrigações, por mais duras que sejam através do envolvimento é viver com qualidade, como se hoje fosse o nosso primeiro dia na vida, ou então como se fosse o ultimo.

Antônio Roberto.

Comente a notícia.

Se você deseja mandar perguntas ou outros comentários, clique aqui.

Palavras chave: , , , , , , , , , , , , , , , ,