ARTIGO – O bonito por si só não basta

Artigo

Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

“Antônio Roberto, ser bonita significa ser chata e soberba? Não suporto mais mulher bonita por fora e insuportável por dentro. Não consigo namorar mulher bonita. TODAS SÃO CHATAS. Victor Contagem”.

Acredito ser impossível conviver, amar e compartilhar momentos inesquecíveis da nossa vida tendo como único foco a beleza do outro. Não há relacionamento que sustente a beleza por si só. Podemos sim, apaixonar, mas o tempo não suporta quando a beleza não passa de nome e sobrenome.

A pessoa humana tem um valor intrínseco que vai além das aparências e que se operacionaliza na forma como se relaciona com os outros. Nosso corpo tem funções mais nobres que apenas agradar visualmente as pessoas e satisfazer o ego daqueles que se promovem socialmente através da beleza. Mesmo levando em conta a relatividade do conceito estético, não há nada demais em admirar a beleza das pessoas ou mesmo preferir esse atributo, entre outros, como definidor de uma escolha amorosa, mas e o resto? Daí entra-se num déficit de gentileza, educação, respeito e principalmente de humildade. A capacidade amorosa, o respeito, a aceitação das diferenças, a comunicação, o não julgamento, o desejo de ver o outro feliz, a bondade, a verdade, a alegria são algumas qualidades entre tantas que favorecem o florescimento de relações construtivas.

O maior defeito da pessoa bonita – falo também nesse contexto para os homens- é achar que só a beleza basta, e o mais grave é quando a própria pessoa que se percebe bonita, acredita que todos as outras pessoas são inferiores. Isso acaba gerando auto-estima, fica fácil ser hostil às pessoas, compete invejosamente com os outros, inibe a alegria e a espontaneidade, se fecha para o mundo e se perde na contemplação do espelho e do próprio umbigo e esquece a dimensão maior da vida que é amar.

Mulher e homem bonitos por si só não basta. Grande erro, afinal, a beleza física tende a se perder ao longo da vida. Todos nós caminhamos para a feiúra do corpo, se levarmos em conta os padrões de beleza da nossa cultura: juventude, pele lisa, cabelos sedosos, vigor corporal, etc. Uma coisa é certa: nem todo homem e nem toda mulher bonita são interessantes. Por outro lado, reconheço que não há quem resista a uma pessoa independente, alto astral, com postura e determinação.

Há um grande equivoco no leitor acima. O seu verdadeiro problema não é achar a mulher bonita pra namorar e sim procurar só a beleza em uma mulher. A beleza lógico que abre portas, mas é o caráter e o jeito no trato que a mantém a estrutura de qualquer relação amorosa.

Para que serviria a beleza? Apenas para a aproximação. No fundo, queremos ser belos para que as pessoas se aproximem de nós e não nos rejeitem. A cordialidade, o afeto, a simpatia, a capacidade de admirar, a simplicidade e, sobretudo, o entusiasmo diante da vida e o bom humor são fortíssimas atitudes de atração. Se não fosse assim como explicar a enorme quantidade de pessoas consideradas feias que estão em relações felizes?

As crianças, ainda não contaminadas, com o pensamento superficial da sociedade, veem as pessoas de maneira inocente. À criança não importa que os outros sejam feios ou bonitos. A ela interessa se o outro a ama ou não. Que me perdoem os bonitos e os feios, mas o fundamental é o amor.

Antônio Roberto

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