ARTIGO – Novos valores

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Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

Antônio Roberto, as vezes acho que nasci na década errada. Tenho princípios que já se perderam e amo as coisas que já não se dá mais valor. Fale sobre isso. Roupe Cristine de Manhuaçu.”

Cada um de nós tem um caminho próprio. E neste caminho a gente se descobre, aprende muitas coisas, sofre, se perde muitas vezes, erra, acerta. De qualquer modo, o que a vida nos pede é que não fechemos os olhos para uma realidade difícil sob todos os ângulos: social, político, econômico, moral, etc. A nossa opção fundamental tem de ser um compromisso com a pessoa humana, com os direitos da integridade e liberdade da pessoa humana. Isto, porém, só será possível se redescobrirmos novos valores.

Tornou-se lugar comum falar que o mundo vive momentos de grandes mudanças e que a época atual é crítica para o futuro da humanidade. E apesar de comum, é verdade. E precisamos todos refletir um pouco sobre a nossa responsabilidade de participação nesta transformação. E, de certa forma, encontrar um mínimo de respostas às nossas angústias e desnorteamentos nos dias de hoje.

Estamos relativamente perdidos porque estamos emaranhados em VALORES criados por uma sociedade gananciosa, indiferente, falsa, violenta e, por isto mesmo, suicida. E a humanidade sofre as consequências do desvio de rota, da perda sistemática dos VALORES naturais de solidariedade, liberdade, verdade e de amor. Todas as pessoas, com um mínimo de consciência, têm de contribuir de uma forma ou de outra para a mudança do mundo, começando de nós mesmos:

Repensar nossas vidas, nossos relacionamentos, nosso trabalho, nossa religiosidade, nossos valores.

Tenho percebido, cada vez mais, uma onda de frustração invadindo as pessoas. De maneira geral, as pessoas estão insatisfeitas na sua maneira de viver, o seu corre-corre, na sua pressa, na sua ansiedade. Inúmeras são as pessoas cada vez mais envolvidas num tédio existencial, que alguns dão o nome de depressão.

Apesar do grande esforço para parecerem felizes, não estão tão felizes quanto parecem. Não conseguem esconder um grau excessivo de tensão, preocupações e cansaço. E, se há alguns anos atrás, as pessoas viviam silenciosamente os seus problemas, hoje, o homem moderno, não sofre em silêncio. As pessoas conversam sobre seus problemas. Falamos sobre o que há de errado: a crise econômica atual, a poluição, a falta de participação política e social, e falamos também, sobre o que há de errado na nossa vida pessoal e íntima.

Falamos sobre os problemas que nos cercam, sobre as nossas angústias, sobre as nossas depressões, sobre as nossas ansiedades e tensões, sobre os nossos problemas conjugais, sobre as crises do casamento, sobre os problemas de relacionamento afetivo e sobre os nossos problemas profissionais. Isto deixa claro que estamos passando a não aceitar como natural esse estado crônico de desgosto e de insatisfação. Cada vez mais, um número maior de pessoas começa a entender a necessidade de alguma mudança, que permita uma vida mais satisfatória e mais significativa.

Muitas são as perguntas que, mais cedo ou mais tarde, nós nos formulamos: será que vale a pena? Será essa a melhor forma de viver? O que há de errado comigo? Serei somente eu que estou passando por esses problemas? De qualquer forma, tudo isto acontece ao homem moderno, em meio a uma forte crise que atravessa o mundo de hoje. Somente os cegos não vêem acontecer já os sintomas claros daquilo que o americano TOFFLER chamou de choque do futuro.

Vivemos sob a esmagadora tensão, o stress e a desorientação. Somos submetidos a uma carga de mudanças excessivas, dentro de um tempo muito curto. O choque do futuro não é mais uma possibilidade futura de perigo, não é algo que virá, a longo prazo, mas é uma doença real que, progressivamente, um número cada vez maior de pessoas já está sofrendo. E no meio de tudo isto a nossa alternativa é redescobrir valores esquecidos mas capazes de nos ajudarem no caminho da felicidade: Simplicidade, cultivo da paz interior, da compreensão em nossos relacionamentos, do crescimento individual, da solidariedade e, sobretudo, o grande valor da ESPERANÇA. Estes valores já existem no coração de cada um de nós. Apenas precisamos deixar que ele apareçam. A família continua a desempenhar um importante papel na transformação do mundo. E é nela que inicialmente acontecerá a ênfase em valores de dignidade, de ética, de tolerância e de perdão.

Se não desistirmos da peleja difícil da própria transformação, teremos a alegria de ajudarmos a construção dos novos tempos, cheios de riscos mas também de muito AMOR.

Antônio Roberto

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