Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas
“Antônio Roberto, estou namorando há dois anos com um rapaz que sempre afirma me amar. No entanto, ele me trata mal, vive falando dos meus defeitos e determina tudo. Encontra comigo quando quer, às vezes some, depois volta. Sofro muito com isso. Como é possível alguém amar e fazer isso com o outro? Margarida de Pouso Alegre”.
A atração entre as pessoas se dá em vários níveis, gerando aproximações diferentes. Existem verbos diversos para classificar as interações entre as pessoas. A confusão começa quando todos eles são reduzidos genericamente ao verbo AMAR. Não existe palavra mais banalizada nas nossas relações que o amor. Essa palavra é usada indiscriminadamente e serve a todos os propósitos. Chega-se, às vezes, a verdadeiros absurdos, como, por exemplo, na famosa frase do marido paranóico que “matou a esposa por amor” (sie)
Compreender a relação afetivo-sexual começa por entender a diferença brutal entre o verbo “gostar” e o verbo “amar”. O verbo gostar, que originalmente se aplica às coisas, como no inglês “I Like”, se refere à auto-satisfação: Eu gosto de chocolate, de cinema, de transar, de ser elogiado, etc. É um verbo egocêntrico , ligado ao prazer que sentimos na relação com o mundo. O verbo amar, por outra forma, extrapola o conceito do nosso prazer imediato e contempla também a existência da outra pessoa, sobretudo nos seus direitos e desejos como pessoa humana, incluindo o principal deles que é viver em plenitude, ou seja, ser feliz.




















